Barcelos pode ficar sem vigilância
O encerramento da maternidade do Hospital de Barcelos pode levar ao fim da vigilância pré e pós-parto na unidade por falta de profissionais, contrariando o despacho do ministro da Saúde, disse à Lusa Joaquim Monteiro, director clínico da unidade. O médico afirmou que o fecho do bloco pode determinar o fim das consultas antes do nascimento, "por interrupção de cuidados na mesma instituição", e a vigilância pós-parto, por "escassez de recursos". Segundo Joaquim Monteiro, as oito enfermeiras-parteiras pediram transferência para outras unidades. Dos seis médicos do quadro de Barcelos, quatro decidiram ficar e exercer apenas Ginecologia, uma médica pediu transferência para o Hospital de Braga e outra irá ficar a exercer Ginecologia em Barcelos e Obstetrícia em Braga. Quando o ministro apresentou o encerramento de 11 blocos de partos, disse que tal não implicava o fim da vigilância das grávidas nas maternidades a encerrar. Os profissionais dos blocos a fechar deveriam integrar, na altura do parto, as equipas dos estabelecimentos onde ocorrem os nascimentos transferidos.
Lusa
Público 18 de Maio 2006
Lusa
Público 18 de Maio 2006
Pois é,
O encerramento de uma maternidade não quer dizer apenas ir parir a outro lado. Somos um país pobre, reconheçam, e chamem os bois pelos nomes...,segurança?qualidade?prevenção?, não, encerram-se maternidades, escolas e centros de saúde porque não há dinheiro para pagar a médicos e professores. Mas se não há dinheiro para médicos e professores haverá para quê? Para pagar milionários CEO's, Co's e outros O's para dirigir empresas públicas que praticamente passariam bem sem eles, uma vez que prestam serviços de que somos dependentes e para os quais não há muitas vezes alternativas. É uma questão de prioridades, porque mulher minha e filhos meus vivem na cidade e não precisam desses profs e obstetras e enfermeiros gastadores, mas para CEO não sei se lá não chego. Pois é.
Publicado por
Pois é. |
11:40 AM
Para além da polémica do encerramento das maternidades, há outro aspecto muito importante e muito esquecido. O encerramento destas maternidades vai significar que estas mulheres estarão longe de cuidados pós-parto, apoio e aconselhamento no pós-parto. E é sabido que para a vinculação, para a saúde da mulher e bebé, é essencial que o pós-parto seja seguido de perto por profissionais competentes que conheçam as mulheres em questão e o seu historial, pois o ser humano não sobrevive apenas da técnica, mas sim da humanização dos cuidados médicos.
Publicado por
Luisa Condeço |
8:59 PM
Começo por dizer que esta experiência blog/jornal pode ser bem interessante. Vamos ver.
Em relação ao tema em concreto, felizmente a discussão em torno do fecho das maternidades trouxe à praça pública outras questões muitíssimo importantes sobre os partos em portugal.
A Luísa Condeço fala sobre a humanização dos hospitais. Aqui há uns dias também Albino Aroso referiu o assunto na entrevista Público/RR/2:, sugerindo um regresso a Kos. Aroso aproveitou ainda o tempo de antena para falar sobre o adiamento da maternidade e o peso que um útero cheio acarreta na profissão, peso esse que se arrasta muito para além dos 9 meses.
Também J. V. Malheiros já escreveu sobre questões tão importantes como a ocupação do espaço público pelos automóveis ou a ausência de casas de banho nos jardins.
O DN de hoje traz um belo artigo sobre os partos domiciliários e que põe em causa procedimentos médicos rotineiros que até a OMS repudia.
Um blog destes pode servir para isto mesmo - partindo de um tema, falar sobre tudo o que está à volta.
Espero, espero mesmo, que passando de prazo o assunto "encerramento de maternidades", as questões ligadas à paternidade e à maternidade não fiquem de fora das agendas dos jornais.
Publicado por
Mimi |
11:45 PM